A possibilidade de formação de um super El Niño ao longo deste ano acendeu sinal de atenção no Rio Grande do Sul devido aos possíveis impactos no clima e ao aumento do risco de eventos extremos, como chuvas intensas e enchentes.
Novas projeções de centros meteorológicos internacionais indicam aumento nas chances de um fenômeno de forte intensidade no segundo semestre, com aquecimento expressivo das águas do Oceano Pacífico. Em alguns cenários, a elevação da temperatura pode ultrapassar a marca de 2°C, patamar associado aos episódios mais severos.
Especialistas ressaltam, no entanto, que ainda há incertezas sobre a intensidade final do fenômeno e que os impactos no Estado dependem também de outros fatores atmosféricos, como a atuação de frentes frias, bloqueios climáticos e a temperatura do Atlântico Sul.
No Rio Grande do Sul, historicamente, anos de El Niño costumam estar ligados ao aumento do volume de chuvas, especialmente durante a primavera e o verão, o que pode elevar o risco de alagamentos, cheias de rios e prejuízos à agricultura.
Diante do cenário, o Governo do Estado, por meio da Defesa Civil, deve se manifestar ao longo desta sexta-feira, 17, para alinhar medidas preventivas e ações de resposta com o objetivo de reduzir impactos à população. Entre os temas em discussão estão monitoramento meteorológico, preparação de municípios, planos de contingência e reforço na estrutura de atendimento em caso de emergências.
A expectativa é de que novas atualizações climáticas sejam divulgadas nos próximos meses, período considerado decisivo para confirmar a configuração e a intensidade do fenômeno.
ENTENDA
Relatório da Administração Oceânica e Atmosférica Nacional dos Estados Unidos (NOOA) desta segunda-feira, 13, alerta para a provável formação do fenômeno El Niño em 2026, com probabilidade de que o evento atinja a intensidade “muito forte” entre novembro de 2026 e janeiro de 2027. No Brasil, nota técnica do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden) aponta que o fenômeno deve alterar drasticamente os padrões de chuva e temperatura, aumentando a probabilidade de eventos extremos. Para o Sul, há a expectativa de aumento de chuvas intensas e inundações.
No Norte e Nordeste, o El Niño costuma provocar a diminuição das chuvas, o que para o Cemaden pode causar “secas severas” e atrasar o início do período chuvoso. á para o Centro-Oeste e Sudeste, são esperadas ondas de calor mais frequentes e baixa umidade relativa do ar.
Na análise do órgão, a combinação de altas temperaturas e falta de chuva pode elevar drasticamente o risco de incêndios no Pantanal e na Amazônia a partir de agosto de 2026.
De acordo com o relatório da NOAA, a fase de neutralidade climática deve prevalecer até o trimestre de maio-julho de 2026, quando as chances de o El Niño emergir sobem para 62%. O Cemaden eleva essa probabilidade para mais de 80% para a segunda metade de 2026.
