O percentual de áreas agricultáveis com solo em condições adequadas em Venâncio Aires apresentou redução nos últimos anos, conforme avaliação do engenheiro agrônomo e chefe do escritório local da Emater/Ascar, Vicente Fin. Anteriormente estimado em cerca de 65%, o índice atual está mais próximo de 50%, segundo diagnósticos recentes realizados a campo. O tema ganha destaque nesta quarta-feira, 15, quando é celebrado o Dia Nacional de Conservação do Solo.
De acordo com Fin, mesmo áreas consideradas adequadas ainda apresentam limitações importantes. Entre os principais problemas estão a ausência de práticas conservacionistas, como curvas de nível e camaleões, além da deficiência na correção do solo, especialmente com calcário e fósforo. O manejo também tem impacto direto, com falhas na condução das lavouras ao longo dos ciclos produtivos.
O engenheiro agrônomo destaca que o plantio direto vem sendo adotado pelos produtores, mas muitas vezes sem o manejo completo necessário. A falta de rotação de culturas, principalmente com a inserção do milho, reduz a formação de matéria orgânica e compromete a qualidade do solo ao longo do tempo.
Nas lavouras de tabaco, uma das principais culturas do município, também foram identificadas deficiências. Mesmo com o uso de plantas de cobertura, ainda há ausência de práticas adequadas de conservação, o que favorece a perda de nutrientes e aumenta os riscos de erosão.
Segundo Fin, a redução na qualidade do solo está mais relacionada ao preparo e manejo do que às condições climáticas. As práticas culturais e de conservação são determinantes para manter a fertilidade e a estrutura do solo, especialmente em períodos em que o clima não favorece a produção.
Dados de 2023 da Emater/Ascar indicavam que cerca de 60% das áreas cultiváveis apresentavam acidez próxima do ideal, após correções com calcário, fósforo e potássio. No entanto, o solo da região possui naturalmente alta acidez e baixa matéria orgânica, o que exige atenção constante dos produtores.
A recomendação dos técnicos é que os agricultores mantenham práticas contínuas de conservação, como análise periódica do solo, rotação de culturas, cobertura vegetal e uso de curvas de nível.
