
Se o Brasil é o líder mundial em exportação de tabaco, Santa Cruz do Sul é a engrenagem mestre desse motor econômico. Uma análise detalhada dos dados de exportação entre 2015 e 2025 revela que o município não apenas acompanhou o crescimento do setor, mas protagonizou um salto de valorização, culminando no melhor resultado de sua história no último ano.
Em 2015, o município registrava um faturamento de US$ 1,04 bilhão. Dez anos depois, em 2025, Santa Cruz do Sul atingiu o recorde absoluto de US$ 1,79 bilhão. Esse crescimento de 71% no faturamento em uma década é ainda mais notável quando analisado o volume físico. Em 2015 foram exportadas 259 mil toneladas, enquanto em 2025 o volume foi de 306 mil toneladas. Ou seja, o valor financeiro cresceu muito acima do volume embarcado, evidenciando a alta valorização do produto processado no município.
EFICIÊNCIA
A trajetória da última década mostra um ponto de inflexão em 2021, no pós-pandemia, quando o faturamento local caiu para US$ 677 milhões, o menor nível desde 2007. No entanto, a recuperação foi avassaladora. Entre 2021 e 2025, o valor das exportações de Santa Cruz do Sul saltou 164%, passando de US$ 677,9 milhões para US$ 1,79 bilhão.
Esse movimento consolidou o que especialistas chamam de “salto de eficiência”: o quilo do tabaco exportado por Santa Cruz do Sul passou a valer significativamente mais no mercado internacional, garantindo um retorno tributário e uma entrada de divisas fundamental para a sustentabilidade da economia regional.
UM OLHAR HISTÓRICO
Para entender a magnitude do momento atual, basta olhar para o início da série histórica em 1997. Naquele ano, Santa Cruz do Sul exportava US$ 527 milhões. Em quase três décadas, o faturamento do município com o tabaco triplicou.
Enquanto no final dos anos 90 os negócios locais giravam em torno de 147 mil toneladas, o patamar atual de 306 mil toneladas (2025) mostra que o parque industrial santa-cruzense dobrou sua capacidade de processamento e triplicou sua capacidade de gerar riqueza.
IMPACTO REGIONAL
Do total de US$ 25 bilhões movimentados pelo Brasil na última década, uma parcela majoritária cruzou as fronteiras a partir das usinas de beneficiamento em Santa Cruz do Sul e na região do Vale do Rio Pardo. O principal complexo industrial de tabaco no mundo atualmente está instalado entre Venâncio Aires e a terra da Oktoberfest. O setor nesta região também se prepara para o futuro e busca agilizar, com a regulação dos novos produtos para fumar, desenvolver a indústria para a produção de outros produtos de nicotina.

Prefeito de Santa Cruz destaca “década de ouro” das exportações de tabaco e cobra maior valorização do setor
O prefeito de Santa Cruz do Sul, Sérgio Moraes (PL), avalia de forma positiva os resultados das exportações de tabaco nos últimos dez anos, classificando o período como uma “década de ouro” para o setor, especialmente pela relevância econômica da cadeia produtiva para o município e região.
Segundo Moraes, o Brasil viveu, nesse intervalo, alguns dos melhores resultados em mais de três décadas de liderança mundial nas exportações de tabaco, com Santa Cruz do Sul desempenhando papel central nesse cenário.
“Teve, nos últimos dez anos, os seus melhores anos em 33 anos de liderança do Brasil em exportação, e Santa Cruz também é um grande protagonista nesse sentido”, afirma.
ECONOMIA
O prefeito destacou que o tabaco segue sendo a principal base econômica da região, com forte impacto na geração de renda e arrecadação. “Santa Cruz hoje, e a região têm como fonte forte de economia o tabaco. Nós exportamos 91% daquilo que produzimos”, disse.
De acordo com Moraes, o setor também tem peso significativo nas finanças públicas. Ele afirmou que a cadeia do tabaco gera cerca de R$ 24 bilhões em arrecadação, mas os municípios recebem uma parcela menor desse valor. “Desses R$ 24 bilhões que mandamos, nós recebemos R$ 14 bilhões entre os 500 municípios, ou seja, é uma injustiça”, critica.
SUSTENTO
Outro ponto enfatizado pelo prefeito foi o papel do tabaco como garantia de renda para pequenos agricultores, especialmente aqueles que trabalham em propriedades familiares. “Hoje o tabaco é a segurança financeira dos pequenos agricultores, que de forma muito brava vêm fazendo a colheita e a produção lá na roça”, afirma.
RELEVÂNCIA
Moraes também cobra uma posição mais clara do poder público sobre a importância do setor, mencionando inclusive diálogo com lideranças políticas estaduais. Além disso, destaca a relevância de Santa Cruz do Sul no ranking de exportações. “Hoje, nós somos o segundo município em exportação, só perdemos para Porto Alegre. Mas Porto Alegre não produz, lá estão os escritórios que emitem notas fiscais. O maior exportador real é Santa Cruz do Sul, seguido por Venâncio Aires”, afirma.
O prefeito reforça que o protagonismo da região precisa ser reconhecido em todas as esferas de governo. “Nós temos que mostrar a importância que temos para qualquer governo, municipal, estadual ou federal”, conclui.
