Tabaco: uma commodity gaúcha nas mãos da agricultura familiar

Olá Jornal
abril03/ 2026

Muito além das cifras bilionárias, a força das exportações gaúchas encontra sua verdadeira base na união de pessoas. Com uma rede que envolve cerca de 70 mil produtores, a produção de tabaco no Rio Grande do Sul transforma o esforço da agricultura familiar em uma potência global. Essa engrenagem humana faz da cultura uma gigante entre as commodities, garantindo que o estado não apenas lidere o mercado, mas mantenha uma “âncora” de estabilidade econômica mesmo diante das oscilações do comércio internacional.
Analisando o período de 2015 a 2025, os dados revelam que o tabaco deixou de ser apenas um produto tradicional para se tornar uma verdadeira commodity de segurança. Hoje, o setor é o segundo maior motor da pauta exportadora gaúcha, respondendo por 15,2% de todo o valor faturado pelo Estado com vendas externas, ficando atrás apenas do complexo soja.

NEGÓCIOS
O que define o tabaco como “segurança” é sua impressionante resiliência de preço e capacidade de recuperação. Entre 2021 e 2025, o faturamento deu um salto extraordinário. Enquanto em 2021 o Estado arrecadou US$ 1,21 bilhão, em 2025 esse valor atingiu a marca histórica de US$ 3,06 bilhões, um crescimento superior a 150% em apenas quatro anos.
Essa robustez é sustentada por uma valorização constante no mercado externo. O preço médio da tonelada de tabaco gaúcho atingiu o ápice em 2024, chegando a US$ 6.503, um valor agregado que protege a receita do Estado contra as baixas comuns em outras matérias-primas menos processadas.
Durante visita à Expoagro Afubra, o vice-governador Gabriel Souza destacou justamente essa capacidade de resistência do setor. “Apesar de todas as dificuldades, tem se mostrado muito resiliente, atingindo recordes de exportação”, afirmou.

EQUILÍBRIO
O papel estratégico do tabaco fica evidente quando comparado à soja. Em momentos de quebra de safra ou queda nos preços das bolsas de grãos, o tabaco atua como um contrapeso vital. Em 2025, enquanto a participação da soja na pauta recuou para 18,2%, o tabaco avançou para seu recorde de 15,2% de participação total.

Mais do que números, a “commodity de segurança” se diferencia pela capilaridade social.
Enquanto grandes culturas de grãos concentram renda em latifúndios, o faturamento do tabaco irriga diretamente a economia de centenas de municípios, especialmente no Vale do Rio Pardo, sustentando milhares de famílias e mantendo o comércio local aquecido.

O vice-governador também ressaltou o impacto direto na agricultura familiar. “O Rio Grande do Sul é o maior produtor de tabaco do Brasil, um dos maiores do mundo e grande exportador. É um produto importante para a nossa economia, que gera muito emprego no minifúndio”, destacou.

Segundo ele, o apoio do Estado tem sido decisivo para garantir produtividade e sustentabilidade no campo. Programas como a Operação Terra Forte atuam na recuperação do solo, combatendo problemas como compactação e acidez, além de melhorar a capacidade de retenção de água, fator crucial para enfrentar períodos de estiagem nas pequenas propriedades. “Estamos ao lado do produtor de tabaco. Acreditamos que é importante proteger essa cultura para que continue gerando emprego e renda”, afirmou.

Ele também defendeu a diferenciação entre produção legal e mercado ilegal, ressaltando que o setor formal contribui significativamente para a economia e a balança comercial.

PERSPECTIVAS
Apesar dos desafios regulatórios e do debate global sobre o consumo, a união entre a expertise do produtor e a tecnologia da indústria instalada no Rio Grande do Sul assegura que o estado continue sendo o principal fornecedor mundial de tabaco de alta qualidade.

Para o Estado, mais do que uma commodity, o tabaco representa um lastro econômico e social, garantindo divisas, sustentando milhares de famílias e mantendo viva a tradição da agricultura familiar no campo.

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