O cenário do comércio exterior em Venâncio Aires em 2025 revela uma mudança estratégica no perfil das exportações locais. Dados recentes apontam para um fenômeno de concentração e eficiência: o município reduziu o número de países parceiros, mas alcançou um salto expressivo tanto no faturamento em dólar quanto no volume de carga embarcada. Os negócios com tabaco em folhas representam mais de 98% das vendas globais.
Enquanto em 2023 a Capital do Chimarrão enviava seus produtos para 90 países, esse número recuou para 84 destinos em 2025. No entanto, a menor pulverização não significou retração. Pelo contrário, o valor total exportado subiu de US$ 1,10 bilhão em 2024 para US$ 1,21 bilhão em 2025, acompanhado por um aumento no peso líquido embarcado, que superou as 203 mil toneladas.
O desempenho atual é o ápice de uma trajetória de crescimento consistente iniciada há quase 30 anos. Em 1997, quando os registros detalhados começaram, Venâncio Aires exportava um total de US$ 237 milhões. A transformação mais impressionante desse período ocorre na relação com a China: se em 1997 os negócios com o gigante asiático somavam apenas US$ 6,13 milhões, hoje esse valor foi multiplicado por 75 vezes.
Desde então, o município acumulou negócios com 160 nações diferentes, consolidando-se como um pilar da balança comercial gaúcha. O que antes era uma operação focada em poucos mercados tradicionais, transformou-se em uma engrenagem logística que movimenta bilhões de dólares anualmente.

MERCADOS ESTRATÉGICOS
A análise dos dados de 2025 sugere que as empresas exportadoras estão focando em mercados de maior escala. A Bélgica consolidou sua posição como o principal “hub” europeu, dobrando o volume recebido para US$ 155 milhões. Já a China, mantém-se como o destino absoluto de quase 38% das exportações locais, totalizando US$ 459 milhões em 2025.
Além da Europa e China, o mercado asiático mostrou uma recuperação agressiva. Países como Indonésia, Coreia do Sul e Vietnã ampliaram significativamente seus negócios, compensando a saída de mercados menores ou de menor rentabilidade.
RECUPERAÇÃO
Um ponto que chama a atenção é a recuperação de destinos que haviam operado em baixa no ano anterior. A Coreia do Sul, por exemplo, viu o volume de negócios com Venâncio Aires dobrar em 2025, enquanto a Grécia triplicou sua demanda. Essa estratégia de focar em parceiros robustos garante contratos de maior volume e maior previsibilidade para a indústria local, especialmente no setor de tabaco e seus derivados.
FOTO: Divulgação/AI SindiTabaco
