Especialistas globais alertam para urgência da redução de danos do tabaco em Nova Iorque às vésperas da COP11

Olá Jornal
setembro24/ 2025

Às vésperas da 11ª Conferência das Partes da Conveção-Quadro para o Controle do Tabaco (COP11), especialistas globais alertam para urgência da redução de danos do tabaco. A mensagem foi enviada durante o 4º Fórum Novas Abordagens nesta segunda-feira, 22, em Nova Iorque. O evento paralelo a Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU) foi acompanhado pelo Olá Jornal nos Estados Unidos.

O presidente do fórum, Derek Yach, lembrou que apesar de todos os esforços ainda há um bilhão de pessoas em todo o mundo que fumam. “É cansativo continuar dando os números. Cerca de oito milhões e meio de pessoas a cada ano perdem suas vidas com produtos de tabaco. Apesar das décadas de defesa global. A Convenção-Quadro da OMS afimra que as taxas de tabagismo diminuíram em média, mas não em alguns dos principais países de baixa renda. Lembre -se de que em países como China e Indonésia, as taxas de tabagismo masculinas ainda excedem 50%. Cinquenta por cento a nível comparável ao que a OCDE [Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico] enfrentou na década de 1960. Isso não é progresso”, afirmou.

Yach refletiu sobre a orientação do tratado para que os países aumentem impostos. “A abordagem atual é aumentar o imposto sobre o tabaco em 50%. E muitos países estão exigindo que eles tenham impostos iguais sobre produtos de redução de danos. A conseqüência disso, sabemos, terá efeitos desastrosos. Os mercados ilícitos prosperam, as redes criminosas se expandem e os objetivos de saúde pública são prejudicados”.

Ele ainda pontuou que o aumento e a equalização dos impostos de cigarro e produtos de redução de danos impedirá que as pessoas mudem e manterá as pessoas fumando. “Devemos abraçar a redução de danos, devemos eliminar barreiras regulatórias e ideológicas desnecessárias e promover o ambiente em que a inovação possa prosperar”, recomendou.

De acordo com o ex-diretor da OMS, mais de 140 milhões de pessoas, a maioria ex-fumantes, mudaram para produtos de nicotina considerados mais seguros, como sachês, vaporizadores, tabaco aquecido e narguilé eletrônico. Se essa tendência se acelerar e for acompanhada por detecção precoce de câncer de pulmão, mais de 100 milhões de vidas poderão ser salvas até 2060.

RESPONSABILIDADE
O especialista em saúde pública e doenças infecciosa, Mark Tundall, abordou que os avanços da redução de danos como na prevenção ao HIV não são vistos no tabaco pela falta de reconhecimento desta abordagem da saúde. “Vaping é a intervenção final da redução de danos. Não é apenas muito mais seguro e não causa câncer, doença cardíaca ou doença pulmonar crônica, mas é muito melhor para o consumidor. Não cheira suas roupas, vem em uma variedade de sabores, pode ser usado discretamente”.
Tyndall lembra que enquanto não se avança, os riscos para consumidores seguem . “De fato, mais de um bilhão de pessoas não parecem viver sem tabaco e veem a morte precoce pelos cigarros […]. Portanto, em resumo, as intervenções de redução de danos são salva vidas, eficaz, barata, simples e beneficiam as mais vulneráveis”.

O especialista citou quatro motivos que considera para que a mudança não ocorra: estigma e negligência das pessoas que fumam, inércia, difamação das empresas de tabaco e aversão ao risco. “Através de campanhas elaboradas baseadas principalmente em exagero e mentiras, esses medos e muitos outros foram ampliados e criaram esse pânico moral em torno da nicotina e o vaping, mais segura”, conclui.

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