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Rompimento da OIT e indústria do tabaco dificulta diálogo do setor

Olá Jornal
novembro22/ 2017

No início do mês a Organização Internacional do Trabalho (OIT) divulgou que decidirá em 2018 se mantém ou corta relações com a indústria do tabaco. Atualmente empresas do setor financiam programas e ações de combate ao trabalho infantil em diversas regiões do planeta. Com o rompimento programas das indústrias focados no produtor poderão ser afetados.

A OIT recebe financiamento da indústria tabagista através de programas para lutar contra o trabalho infantil no cultivo do tabaco e que vencerão em 2018. A decisão sobre a indústria tabagista deve ficar para a reunião do Conselho, em março do próximo ano.

Inicialmente, no último dia 09 a entidade havia divulgado comunicado informando que iria romper relações com o setor. Porém, voltou atrás e destacou que o assunto seria definido no próximo encontro. Entidades de luta contra o tabaco afirmaram que tais acordos tinham feito muito pouco para acabar com o trabalho infantil e que o problema real recai no fato de, segundo elas, “as empresas pagarem muito pouco aos produtores e camponeses, que, com um salário melhor, não teriam que buscar suporte dos filhos para trabalhar”. Além disso, estas organizações cobram cumprimento de determinação da Convenção-Quadro para o Controle do Tabaco, prevendo o fim das relações com a indústria tabacaleira em agências e órgãos da ONU.

PERDA
O presidente do Sindicato Interestadual das Indústrias do Tabaco (Sinditabaco), Iro Schünke, afirma que o rompimento é uma perda nos programas que possuem bons resultados na luta contra o trabalho infantil. “Além do financiamento de programas, as indústrias promovem treinamentos com a OIT para orientadores ajudarem neste tipo de trabalho. É uma perda para ações que dão certo e possuem resultados positivos.”

O dirigente destaca ainda que a organização do trabalho precisa defender os dois lados, tanto as ações do empregador, como do trabalhador. “O principal objetivo desta entidade é a defesa do trabalho, não importa o lado. O rompimento poderá interromper ações muito positivas.”

DISCUSSÃO
O presidente da Câmara Setorial da Cadeia Produtiva do Tabaco, Romeu Schneider, afirma que a eventual decisão de romper com a indústria do tabaco trará prejuízos para a manutenção de políticas sociais. “Essa relação vai muito além de algo institucional. A indústria do tabaco, no Brasil, tem uma relação de apoio e suporte para as políticas sociais de combate ao trabalho infantil, escravo ou precário.”3

A discussão para romper as relações entre OIT e indústria do tabaco é classificada por Schneider como perseguição ao setor. “Essa é uma discussão de entidades que não querem resolver os problemas. A perseguição contra o setor tem atingido outros patamares por isso essa decisão pode ser unilateral.”

Diversas entidades sindicais e governamentais que participam das reuniões da OIT foram contatadas para buscar a manutenção das parcerias com indústrias do ramo. Com a decisão sendo publicada no próximo ano, entidades representativas querem manter contato com lideranças políticas para ampliar a defesa do setor.