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Mesmo lenta, economista da FIERGS estima recuperação para 2017

Guilherme Siebeneichler
novembro30/ 2016

O economista-chefe da Federação das Indústrias do Rio Grande do Sul (FIERGS), André Nunes de Nunes, esteve em Santa Cruz do Sul nesta quarta-feira, 30 de novembro, para falar sobre o Cenário Econômico para 2017. Promovida pelo Sindicato Interestadual da Indústria do Tabaco (SindiTabaco) e pela vice-presidência Regional da FIERGS, a palestra foi acompanhada por empresários do município.

“Ao longo dos anos, podemos observar períodos de recessão seguidos por ciclos de crescimento. Entre 2002 e 2014, tivemos uma demografia favorável ao Brasil com a baixa taxa de fecundidade, a explosão das commodities e a disponibilização do crédito devido ao baixo endividamento fizeram o país dar um salto na economia, mas isso não deve se repetir”, avalia.

“No curto prazo, prevemos um crescimento de 1,6% em 2017 e em 2018 de 2,5%, lembrando que saímos de um patamar de queda prevista em 3,4% em 2016, por conta da queda de produção industrial, de serviços e da agropecuária. No Sul, com período de La Nina brando, prevemos a possibilidade de estiagem baixa e não devemos ter grandes impactos na próxima safra”, acrescenta.

Consumo
“O Natal de 2016 deve ser -3% menor em comparação com 2015 e não há uma perspectiva de crescimento para 2017 nesse sentido. Mas a recessão não vai durar para sempre, em algum momento vamos dar a volta por cima, mas precisamos enfrentar desafios a longo prazo. Aumentar a produtividade da mão de obra, desburocratizar, melhorar infraestrutura, fortalecer entidades que equilibram as finanças públicas e a sanidade da moeda são alguns desses desafios”, avalia.

Acesso ao crédito
Com relação ao crédito, segundo Nunes, depois de uma crise longa, mesmo uma empresa bem capitalizada pode depender do mercado de crédito para a operação. “O acesso ao crédito começou a piorar em 2011, diminuindo o giro e a margem de lucro. Para piorar, a taxa de juros muito elevadas acabam afetando esse acesso”, comentou. “Outra dificuldade para as empresas tem sido a elevada carga tributária. Além do uso para capital de giro, as empresas acabam recorrendo ao crédito para pagar os impostos, ou seja, financiar o governo. A principal vitória que tivemos em 2016 foi a redução da inflação, o que poderá influenciar positivamente a taxa de juros”, destaca.

Disponibilidade da mão de obra
Entre 1960 e 2014, a taxa de fecundidade caiu 71% (de 6,2 para 1,6 filhos em média por mulher em idade reprodutiva). A próxima geração, portanto, não terá a mesma mão de obra disponível, considerando que a população em idade ativa diminuirá gradativamente ao longo dos próximos anos. Com isso, a expansão de consumo, de mercado de trabalho e arrecadação de impostos também deverá diminuir substancialmente em comparação com a última década (-53%).

Taxa cambial
Os elementos que temos apontam que a taxa de câmbio deve ficar acima de 3,30, mas não devemos ter uma valorização acima de 3,50 até 2018, segundo a previsão. “Temos aí o elemento Trump que poderá interferir no mercado estadunidense e, em consequencia, no câmbio. É preciso ter em mente que, quando falamos de câmbio, um evento pode mudar tudo”, pondera.

NO CURTO-PRAZO
● A recuperação vai depender, fundamentalmente, da demanda interna (consumo das famílias e investimentos);
● O cenário para 2017 é de crescimento baixo. Atualmente, as previsões divergem na magnitude deste crescimento;
● As principais variáveis (inflação, juros, emprego, investimento, etc.) estarão um pouco melhor em 2017, mas nenhuma que se destaque;
● Ainda é difícil apontar qual será o vetor do novo ciclo de crescimento. É provável que nós tenhamos que criá-lo!

DESAFIOS A LONGO-PRAZO
● Aumentar a produtividade da mão de obra;
● Construir uma infraestrutura condizente com país que almejamos;
● Melhorar o ambiente de negócios através da desburocratização;
● Fortalecer as instituições que garantem os direitos de propriedade, o equilíbrio das finanças públicas e a sanidade da moeda.

CRÉDITO: Divulgação/AI Sinditabaco