Inflação de 2017 fica abaixo do piso da meta pela 1ª vez

Guilherme Siebeneichler
janeiro10/ 2018

A inflação registrou alta de 2,95% em 2017, segundo dados divulgados pelo IBGE nesta quarta-feira. Com o resultado, o avanço dos preços no ano ficou abaixo do patamar mínimo estabelecido pelo governo pela primeira vez desde o início do regime de metas, em 1999. O centro da meta era de 4,5%, mas a margem de tolerância de 1,5 ponto porcentual faz com que os limites vão de 3% a 6%.

O Banco Central tem a obrigação de divulgar uma carta, explicando os motivos do não cumprimento da meta, quando a inflação fica abaixo do patamar mínimo. A instituição, por meio de um órgão seu chamado Copom, é quem determina a taxa de juros, usada para ajudar a controlar a alta dos preços. O BC disse que não há, até o momento, previsão de quando o documento será divulgado.

A taxa acumulada pelo IPCA no ano é a menor desde 1998 (1,65%), segundo o IBGE. Em dezembro, houve avanço nos preços de 0,44%, ante alta de 0,28% em novembro. A alta no últiumo mês foi puxada pela alta nos grupos alimentação e bebidas e transportes.

O grupo alimentação, que responde por cerca de um quarto dos gastos dos brasileiros, passou de queda de 0,38% para alta de 0,54%, pressionado pela alta do preço da comida consumida em casa.

ANOS ANTERIORES

Os principais aumentos de preço no ano foram registrados nos grupos habitação (6,26%), saúde e cuidados pessoais (6,52%) e transportes (4,10%). Na outra ponta, houve queda no grupo alimentação e bebidas (1,67%) pela primeira vez desde o início do Plano Real, em 1994. “Em 2017, a produção agrícola ficou, aproximadamente, 30% acima da safra do ano anterior”, disse o IBGE.

Os transportes, segundo grupo mais importante do IPCA, teve variações mais significativas em gasolina (10,32%), ônibus intermunicipal (6,84%), emplacamento e licença (4,29%), ônibus urbano (4,04%), conserto de automóvel (2,66%).

Os gastos em habitação no ano subiram principalmente pelas altas de gás de botijão (16,00%), taxa de água e esgoto (10,52%) e energia elétrica (10,35%). Em saúde, as maiores influências foram de planos de saúde (13,53%) e remédios (4,44%).

Guilherme Siebeneichler