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Categorias sindicais lamentam momento de retrocesso e lutam com os trabalhadores

Guilherme Siebeneichler
abril29/ 2017

O andar da carruagem não permite muitas comemorações ao olhar das categorias sindicais em Venâncio Aires neste 1º de maio, Dia do Trabalhador. Em meio a uma intensa luta contra as reformas Trabalhista, aprovada na Câmara dos Deputados e que agora segue para o Senado, e da Previdência que começará a tramitar no Legislativo Federal, o momento é de apreensão. Apesar da origem da data remontar de 1886, após uma grande paralisação de trabalhadores norte-americanos para reivindicar melhores condições de trabalho, a situação da atualidade é vista como retrocesso o que impede celebrar conquistas históricas como a própria Consolidação das Leis Trabalhistas (CLT) há 74 anos atrás no Brasil, que se completam no mês de maio.

Responsável por presidir o Sindicato do Fumo, Alimentação e Afins de Venâncio Aires, que engloba cerca de 4 mil pessoas em período de safra, Rogério Siqueira enfatizou que não é possível neste instante se preocupar com outras reivindicações, do que lutar contra as reformas. Ao comentar também a realidade da criação de vagas na categoria, o sindicalista afirma que a carência grande em outros setores muitas vezes não permite ações do próprio Executivo, evitando deixar centralizado o poder econômico em uma mesma área profissional. Atualmente, no ramo de alimentação a média salarial gira em R$ 1,4 mil, enquanto do fumo é a partir do piso nacional, de R$ 950,00.

PREOCUPAÇÃO

Um dos que comentou de forma mais veemente sobre o que os próprios trabalhadores tem dito, foi o presidente do Sindicato dos Trabalhadores da Construção Civil e do Mobiliário. Segundo Jandir da Silva se vê um apavoramento no semblante dos profissionais. “Em muitas reuniões que fizemos com eles nas empresas, todos se mostraram assustados e inclusive logo aderiram as assinaturas do abaixo-assinado contra as reformas”.

Com pouco mais de 1 mil trabalhadores englobados nas categorias da construção civil, mármores, madeiras, olarias e marcenaria, o sindicalista relata que um dos principais setores, da construção sofreu uma queda grande nas contratações. “Caiu o número de trabalhadores, mas também ocorreu uma situação atípica, pois passaram a ter mais microempreendedores individuais, acima de 100 em Venâncio”. Outro setor forte do município com aproximadamente 3,5 mil trabalhadores na base é dos Metalúrgicos, Mecânica e Material Elétrico. O presidente sindical da categoria, Adolfo Celoni da Rosa a situação vivida no país preocupa todos. “Além de uma crise externa e interna, vivemos uma crise política, dificultando as perspectivas tanto para as indústrias quanto aos trabalhadores”.

Com um piso que é de R$ 1,2 mil, o sindicato também vive um momento de negociações do dissídio, pois a data-base é maio. Cobrando mais investimentos ao setor, tanto da área pública como das empresas, a categoria do Calçado e Vestuário que hoje abrange 1,7 mil trabalhadores tem uma média salarial de R$ 1,2 mil. O presidente João Emerson Dutra de Campos o 1º de maio não se pode comemorar neste ano. “No momento a proposta do Governo Federal e seus deputados aliados, de tirar os direitos dos trabalhadores conquistados com muito suor e luta, vamos celebrar o quê?”.

Em um setor com cerca de 1,7 profissionais, o comércio também sente o reflexo dos atuais embates, através do fechamento de lojas e contratações esporádicas, que ocorrem mais próximas de datas comemorativas. Com trabalhadores na faixa salarial dos R$ 1,1 mil, o setor reivindica a regulamentação do horário do comércio. Adriano Costa, que luta pela instalação de um Sindicato da categoria único em Venâncio (processo que está em reconhecimento junto ao Ministério do Trabalho em Brasília), que na atualidade as ações são no sentido de ir contra as ataques das reformas.

CONDIÇÕES

Aliados contra as reformas, o Sindicato dos Trabalhadores Rurais tem ainda lutas específicas neste processo, como as aposentadorias. Conforme a diretora Sandra Wagner não se pode perder os direitos adquiridos para o campo, como a aposentadorias aos 60 anos de idade para homens e 55 as mulheres. “40% da população de Venâncio ainda vive no meio rural, produzindo matéria-prima para a indústria, gerando empregos e renda. O trabalhador rural não possui renda fixa e mensal, e depende do tempo para produzir”.

Outra força e que recentemente esteve também nas ruas para reivindicar seus benefícios, como os salariais em nível municipal, é dos Servidores Públicos, com 1,3 mil trabalhadores. Ao abordar o aspecto local, o presidente Odenir Guterres de Carvalho pediu transparência. “Estão debilitadas as relações, então a confiança é necessária”.