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Área plantada com tabaco deve reduzir 2,97% na safra 2017/2018

Guilherme Siebeneichler
setembro27/ 2017

Plantar menos tabaco é a orientação da Afubra, das Federações de Trabalhadores na Agricultura dos três estados do Sul e da Federação da Agricultura do Rio Grande do Sul para a safra 2017/18. A campanha intitulada ‘Menos é Mais’ traz como princípio fundamental a tradicional lei de mercado da oferta e procura: quanto menor a oferta, maior o valor pago pelo produto.

O material distribuído aos fumicultores traz como orientação plantar somente o que foi contratado com a empresa, ou seja, o que já possui compra garantida. Entre os objetivos estão maior controle da produção, melhores preços, valorização do sistema integrado, comprometimento das empresas com a sustentabilidade da propriedade e com a qualidade do tabaco e maior renda ao produtor.

De acordo com o presidente da Afubra, Benício Werner, a conscientização se faz necessária visto que na última safra (2016/17) foi plantado 7% a mais do que o volume contratado pelas fumageiras e o resultado está nos galpões. “Foi muito além do que tinha sido contratado e isso faz com que em algumas regiões ainda haja tabaco estocado nas propriedades”, revela Werner.

CONSUMO
Uma das principais preocupações das entidade é com a diminuição da procura devido a queda no consumo de cigarros, principalmente na China que hoje possui participação de 46% no consumo mundial. De acordo com Associação Internacional de Produtores de Tabaco (ITGA em inglês) a queda neste país está prevista entre 1% e 2%. “É muito desfavorável para nossa produção. Mesmo com a queda no geral no mundo a China sempre importava bastante”. Outro ponto destacado pelo presidente da Afubra é o aumento no consumo do cigarro sem queima do tabaco pois este modelo leva menos quantidade do produto.

PREÇO
Werner ainda faz um comparativo com o preço médio pago pelo produto em anos de safras menores com as maiores. Ele lembra que na safra 2015/16, quando houve uma quebra de produção devido ao clima, o preço médio ficou em R$ 10,07 o quilo. Já na safra passada, com uma produção maior a média ficou em R$ 8,63 o quilo. “Precisamos ter os pés no chão. Levar em conta os custos como insumos e mão de obra e garantir um preço médio bom”, afirma.

PROJEÇÃO
A safra 2017/18 possui área plantada de 297.460 mil hectares nos três estados do sul contra 298.530 mil hectares da safra passada. A projeção da produção é de 684.948 mil toneladas, uma redução de 2,97% em relação a safra passada que chegou a 705.930 mil toneladas.

De acordo com o presidente da Afubra, o ideal era que a produção não ultrapassasse as 610.620 mil toneladas, ou seja, uma redução de 13,5% em relação ao produzido na última safra. “Precisamos levar em conta tudo isso na hora de preparar as lavouras mas quem gerencia a propriedade é o produtor. Nossa responsabilidade é de colocar que podemos ter problemas na comercialização mas quem decide é ele”, explica Werner.

A atual safra está com 54% da área plantada nos três estados do sul. Algumas regiões, devido as condições climáticas de localização, já estão mais adiantadas. É o caso da microrregião de Venâncio Aires e Santa Cruz do Sul, com 95% da área plantada, e em Santa Catarina na região litorânea de Tubarão e Araranguá, com 100% plantado.