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Afubra quer negociação do preço do tabaco direto com o Sinditabaco

Guilherme Siebeneichler
março25/ 2017

Há pelo menos cinco anos as negociações de reajuste do preço pago pelo tabaco ocorrem entre representantes dos produtores e membros de cada indústria. Anteriormente este diálogo era realizado entre Associação dos Fumicultores do Brasil (Afubra) e Fetag diretamente com o Sindicato Interestadual das Indústrias do Tabaco (Sinditabaco).

Na audiência pública sobre a compra da safra atual e a classificação, realizada na última quinta-feira, 23, na Expoagro Afubra, o assuntou ganhou corpo. A alteração na forma de negociações ocorreu a partir de sinalização do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) por formação de cartel (acordo explícito ou implícito entre concorrentes para, principalmente, fixação de preços ou cotas de produção). Entretanto, o presidente da Afubra, Benício Werner, tem relatado dificuldades no diálogo com os representantes da indústria. “Precisamos que volte ao formato de antes, era um diálogo com mais agilidade. Não podemos ficar negociando meses sem retorno do reajuste no preço pago,” ressalta.

Aliado a isso, a entidade representativa dos fumicultores espera antecipar as discussões do reajuste para o mês de outubro, afim de melhorar os resultados para os produtores. No encontro promovido pela Assembleia Legislativa no parque da Expoagro, Werner cobrou informações da indústria sobre os interesses do mercado, especialmente sobre qualidade e tipo do produto. “Não é os produtores que precisam ir buscar informação do que o mercado está procurando, eles é que precisam nos avisar,” salienta.

COBRANÇAS

Integraram o debate, os deputados estaduais, Adolfo Brito (PP), Edson Brum (PMDB), Zilá Breitenbach (PSDB), Marcelo Moraes (PTB), Elton Weber (PSB) e Pedro Pereira (PSDB). Participaram ainda, Heitor Schuch (PSB), representando a Câmara Federal, Iro Schünke, presidente do Sinditabaco, Werner, presidente da Afubra e o Roberto Schroeder, Superintendente do Ministério da Agricultura do Rio Grande do Sul.

Durante as manifestações, Moraes, proponente da audiência, salientou a necessidade de debate sobre o preço pago pelo tabaco produzido na atual safra. Salientou ainda o descontentamento dos agricultores da região.“Os deputados reconhecem a importância da produção, da cadeia produtiva e da remuneração aos pequenos produtores.”

COMISSÕES

Schünke propôs a criação de comissões entre sindicatos e demais entidades para avaliar os preços pagos direto com os empresários, durante a classificação do produto nas indústrias. Segundo ele, esta forma já está sendo realizada em municípios de Santa Catarina. No mesmo sentido, o vice-prefeito, Celso Krämer, sugeriu a criação de um grupo entre deputados e representantes dos fumicultores para acompanhar a compra do fumo, nas indústrias.

“Eu sinto na carne o descontentamento do produtor. Deputados, formem um comissão e visitem as empresas no ato da compra, para averiguar a situação que os agricultores enfrentam, especialmente na classificação.” A vereadora de Venâncio Aires, Sandra Wagner (PSB) também integrou as discussões. Do debate será publicada uma ata e enviada aos membros da cadeia produtiva do tabaco.